Ainda como
naquela manhã, sabe, pra mim é difícil passar momentos com café e cigarros.
Bom, daqui a alguns dias, talvez nem passe, já que o cigarro toma conta de
todas minhas tardes. E quem sabe, esse foi meu erro, não ter tirado tempo para
nós. Para você.
Aquela avenida abaixo do meu prédio, abaixo dos meus pés, abaixo da minha cama
– bom, minha cama, ela sim guarda segredos insecretos
de nós dois. Ainda se lembra daquele dia, bom, não exatamente dia, aquela
madrugada que chegamos ensopados por causa daquele pé d’água que tava caindo?
Você estava molhada, mesmo sem querer, inocente, sempre soube como atiçar meus
desejos...
Sabia que parte da sua roupa ainda ta no meu guarda-roupas? Bom, o que restou
dela, deixamos ela lá, molhada, e o mofo deve ter a mudado. Mais eu prometo
amor, quando eu há encontrar, eu tento levá-la a você - mentira.
Ok. É
verdade, não consigo esconder, eu já a encontrei, só que... Ela vai ser mais
uma das minhas impetuosas desculpas para poder te ver. Desculpa? Sabe, o modo
como você olha pra mim de um jeito “você, saia daqui, não me olhe, fico
envergonhada.” Ó meu Deus, como queria que você me mandasse embora novamente
mais quando eu estivesse no saguão do seu prédio, você aparecesse com uma
enorme blusa e descalça correndo quase caindo, e tudo isso só pra tentar me
levar pro seu quarto, e querer opiniões sobre seus bolinhos, e que
particularmente, amor, são horríveis.
Você,
criança, brincalhona, meiga, raivosa, amorosa... Meio mãe, ciumenta, protetora.
Você, e única e exclusivamente, você. Com seu jeito de me ligar de madrugada,
dizendo que por ter perdido o sono, não pode me deixar dormir, sabe? Amor,
nunca entendi suas malditas e incrivelmente amáveis regras.
Ainda se lembra de me confrontar com seus filmes desesperadamente tediosos,
mais que no fundo, como eu os amava – você estava ali. Você ficava tão linda,
sabe? Meiga chorando ao ver o terrível
clichê “felizes para sempre” - que acompanhava meus deliciosos cafés. Sim, por
que eu sim sabia cozinhar. Me lembro que nas madrugadas mais frias, agente tava
lá, dormindo juntos, e do nada, você corre, acende a luz, calça suas pantufas,
arrasta todo o meu edredom, e sai correndo pela a casa, feito um histérica,
tudo por um simples e quente copo de chocolate.
E sabe do que mais? Ainda se lembra, que podíamos sim ter roubado aqueles
picolés do sorveteiro? Que mal teria? Ele estava longe, e outra, era pra você.