quinta-feira, 15 de março de 2012

Passei com bebidas, bares e uma vagabunda.


- Você aceita?
- O que? – Meu olhar era sonolento, meus pensamentos passavam como um filme,vagarosamente.
- Outra dose. – Ela disse, sem a mínima importância, de um jeito desonesto.
- Não posso...
- Claro que pode. É só mais uma.
Depois de uma largar pausa, declarei: - Sirva-me.

Por que ela insistia em ser tão errada? Completamente sem escrúpulos. Mais não há culpo sozinha, não poderíamos estar ali – ou sim?


Eu deveria tomar vergonha. Mais por quê? Já tomei meio litro de falsidade, resta a outra metade para rebater minha consciência – isso se ela ainda existir.


Ela parecia ler meus pensamentos, de uma forma maléfica, inconseqüente... E se contentava em fazê-los reais. Era errado. Eram apenas desejos sujos. E eu me sedia a cada avanço, como um cachorro atrás do osso – eu parecia um.

- Continue. – Ela disse.
- Não posso.
- Por quê?
- É errado.
- Você não parecia achar isso. – Ela falava com futilidade.
- Por que acha não parecer?  – Eu não havia entendido. O porquê de eu julgar errado estava explicito .
- Já fizemos tudo. É só mais o resto da noite, não mudaria absolutamente nada. Considere: você não há ama. Tá na cama. Com outra.
- Vagabunda.
- Eu sei. Por isso você me pagou. – Sem se importar, tranqüila ela apenas assumia.

(...) Mentira. Eu há amava, era preciso – será? Ela entenderia? Talvez. Ela tinha dom de anjo.

Pare. Por quê? Eu deveria contar-lhe?  Seria o certo. Qual certo? O meu certo. Seria errado considerar isso. Não.

Na manhã seguinte:

- Onde vai? – Eu há perguntei.
- Embora. Você me paga por noite, e eu tenho mais clientes.
- Tá bom. – Eu disse-lhe de maneira fria. – O dinheiro está na mesa. Você me faria um café?
- Claro.
- Bem forte. Sem açúcar, por favor.

Eu deveria ter lhe mandado embora, vagabunda... Pare. Eu já fiz, sem mais delongas e talvez sem a mínima consideração, há traí. E daí? O whisky,  era dela também. Meus conceitos eram apenas uma base de regras. Eram de acordo com a ética social. E daí? Eu nunca os havia seguido. E hoje considero que teria sido bom tê-los considerado mais. De acordo com eles, eu estou errado. Na cama, com outra, e bom, uma vagabunda.

- Está aqui. – Alguns minutos depois.
- Obrigado. – Disse-lhe, soprando o café.
- Tchau. Se precisar, sabe onde me encontrar. – Ela enfatizou , se abaixando e como se oferecendo. De uma forma indiscreta.
- Vá embora. Pegue o dinheiro. – Lhe disse, frio.

Esse dinheiro era para a caixa de bom bons que compraria para ela – e talvez flores também.

Depois de Algum tempo, comecei a culpá-la. “A culpa é sua. Não deveria ter viajado. Me deixado aqui, sozinho”. Seu imbecil. Ela havia ido estudar. De qualquer forma não seria desculpa para a primeira da esquina ao lado.E apenas para matar meu nojento desejo, esse instinto de filho da puta.

Será que se eu dissesse que há amo, acreditaria em mim querida? Tudo não passou de uma noite. Foi uma noite.  O que resta agora? O café de ontem – o que
ela fez.

Agorinha você chegará amor. E faz um favor? Passa e compra mais? Mais vergonha na cara, e respeito. Eu já os deveria ter, eu sei.

Poço lhe pedir mais? Sei que chegará cansada, mais vestiria seu vestido? Aquele vermelho; bonito. E jantaria comigo? Fiz reservas no seu restaurante preferido. – Você aceitará, espero.

... Daqui um tempo, será fácil. Mais alguns dias de frieza, e insensibilidade, irei comprar sorvete e rosas, você o tomará e as colocará em um lindo vaso.  Segundos depois, me olhará ingênua e inocente, e apenas perguntará:

- Como passou querido?
- Passei bem, meu anjo. – Passei com bebidas, bares e uma vagabunda, deveria lhe responder.
 Será fácil. Você me ama. Desculpa? Eu sei, sou um filho da puta sem responsabilidade e sem vergonha. Mais sabe? Você já deveria saber. Muitos homens são assim. Querida.




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